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sexta-feira, 4 de março de 2016

ABC da Passarada

ABC da Passarada


Andorinha
Bem-te-vi
Coleirinho
Dorminhoco
Ema Falcão
Graúna
Harpia
Inhambu
Jacutinga
Lindo-azul
Mainá
Noivinha
Oitibó
Pintassilgo
Quiriri
Rolinha
Sabiá
Tico-tico
Uirapuru
Xexéu
Zabelê
Fonte:
Lalau e Laurabeatriz
Fora da gaiola e outras poesias. 
São Paulo, Companhia das Letrinhas, 1987


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Segredos do cerrado

Segredos do cerrado


Eu nasci lá no cerrado
No cerrado me criei
Vendo planta, ouvindo bicho
Entendendo a sua lei
Amolando a minha enxada
Minha roça eu plantei

Pisei em cabeça de frade
Muito espinho eu entortei
Acordei um catingueiro
Na sombra do pequizeiro
Mais que ele eu assustei

Cerco o fogo com acero
Da mamona tiro azeite
Pra acender meu candeeiro
Armadilha na florada
Marimbondo e abelha
Caindo na teia da aranha rajada

Se planto minha roça
Longe da palhoça
Gasto tempo à toa
Capivara gosta 
De comer minha roça
Esconder na lagoa [...]

Ararinha canta na serra
Faz seu ninho na barranca
Urutau canta medonho
Quem não conhece espanta

Buriti nasce na água
Na vereda solitário
Do seu fruto eu faço doce
E guardo sua palha
Jataí é inofensiva
Mas seu mel é decisivo
Pra curar minha garganta [...]

Meu carro de boi
Quando roda calado
Põe azeite no cocão
Quando roda pesado
Ele canta afinado
No tom desta canção [...]

Segredos do cerrado. Cantigas da sombra e da claridade (CD), de Sons do Cerrado, UCG/ITS

Fonte: 
Geografia de Goiás
Ivanilton José de Oliveira
Tadeu Alencar Arrais
Editora Scipione, 1ª edição, São Paulo, 2008

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O leão

O leão

(Vinícius de Moraes)

Leão! Leão!Leão!
Rugindo como um trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês

Leão! Leão!Leão!
És o rei da criação

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda
Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro

Leão! Leão!Leão!
És o rei da criação

Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus quem te fez ou não
Leão! Leão!Leão!
És o rei da criação

O salto do tigre é rápido
Como o raio, mas não há
Tigre no mundo que escape
Do salto que o leão dá

Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte
Pois bem, se ele vê o leão
Foge como um furacão

Leão! Leão!Leão!
És o rei da criação
Leão! Leão!Leão!
Foi Deus quem te fez ou não

Leão se esgueirando à espera
Da passagem de outra fera
Vem um tigre, como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranquilo
O leão fica olhando aquilo
Quando se cansam, o leão
Mata um com cada mão.

Fonte:
A arca de Noé: poemas infantis, São Paulo: Companhia da Letras, 1991


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Extinção

Extinção
Sylvio Luiz Panza

Como será que vai ser
no futuro lá adiante?
Será que ainda vai haver
animais como o elefante?

Como será que vai ser
no futuro sem floresta?
Será que a vida vai ser
mais bonita do que esta?

Como será que vai ser
não ter animais por perto?
Não ter verde, flores, frutos,
será viver num deserto!

É por isso que é importante
renovar o sentimento
de cuidar de nossas matas
com o reflorestamento.

Mas nem tudo está perdido,
isso eu sei, tenho certeza,
se cuidarmos com carinho
desta nossa natureza!

Sylvio Luiz Panza nasceu em São Paulo, em 1965. É autor de diversos livros infantis. Em Ecologia em quadrinhos, editado pela FTD, ele faz versos pela conservação da natureza.

Fonte: 
Revista Ciência Hoje das Crianças nº 214
Julho de 2010, Capa.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Gafanhoto


Gafanhoto
Nery Reiner

Gafanhoto verdinho
Vai de mansinho
Pelo caminho
Procura ervinha
Encontra joaninha
Lindinha, lisinha
De asas certinhas
Gafanhoto e joaninha
Vão de mansinho
Pelo caminho
Como rei e rainha
Um galho e uma florzinha.

Fonte:
Do livro: Passa, passa, passarinho
Nery Reiner
Vale Livros

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Devagar, que tenho pressa (poesia)

Devagar, que tenho pressa
Augusto César Ferreira Gil


Veio um lesmo d'Amarante,
Para casar em Lisboa
Com uma lesma galante,
Muito rica e muito boa.

E veio do seu vagar,
Com toda a comodidade,
A fazer e a recitar
Baladas, odes, sonetos...

Quando chegou à cidade,
A noiva... já tinha netos!


Augusto Gil é um dos maiores poetas portugueses do século 20. Nasceu em 1873 e morreu em 1929. 

Fonte:
Revista Ciência Hoje das Crianças
Nº 83 - Agosto de 1998 - contra capa

terça-feira, 7 de maio de 2013

Casas


João-de-barro

Casas

Alguns bichos têm casa
muito interessantes.
Formigas, abelhas
podem dar ao homem
lições de arquitetura.

E com finura
a aranha tece sua teia,
o marimbondo constrói sua casa,
o bicho-da-seda o seu casulo.

Mas sou apaixonada mesmo
é pela casa redonda
do joão-de-barro.

Talvez porque sempre
quisesse morar em árvore,
morar assim pendurada.

Lá dentro da casa,
o joão-de-barro e sua namorada
fazem planos para o futuro.

Daqui de fora eu escuto:
ti ti ti ti ti ti ti ti

Casas, de Roseana Murray
Editora Formato



segunda-feira, 8 de abril de 2013

A cigarra

A Cigarra

Maria Augusta de Medeiros


 
Até parece mentira,
Mas com a tarde acabando,
A gente fica escutando
Uma Cigarra Caipira.

Primeiro afina a viola.
Depois, minha Virgem Santa,
Tanto tempo toca e canta
Que o dedo todo se esfola.

Se algum barulho atrapalha,
Ela se cala e suspira,
E assim que ele se retira,
A cantoria se espalha.
(...)
Tocando moda ligeira,
A turma fica animada,
Dançando tão assanhada,
Que esquece toda a canseira.
(...)
Quem nunca ouviu se consola
Dizendo ser de mentira
Essa Cigarra Caipira
Que canta e toca viola.
(...)

"Maria Augusta de Medeiros nasceu em São Paulo, em 1949. É formada em Artes Plásticas, mas também gosta muito de escrever. A Cigarra foi retirada de O Quintal de São Francisco, seu primeiro livro para crianças, publicado pela Editora Paulinas."

Fonte: Revista Ciência Hoje das Crianças, nº 188, de Março de 2008.

Tartarugas

Tartarugas
José de Castro*

1. Casa de tartaruga
não se vende
e nem se aluga

2. Tartaruga
vive no banho
e nunca se enxuga.

3. Tartaruga
dorme tarde
e cedo madruga?

4. A velha tartaruga
coça com prazer
sua mais nova verruga.

5. Tartaruga,
pra livrar o casco,
inventa rotas de fuga.

6. Óleo de tartaruga
rejuvenesce
e desenruga?

7. Tartaruga
mesmo nova,
é cheia de ruga!!!

*José de Castro, nasceu em Resplendor - Minas Gerais. Viajou pelo Centro-Oeste, pelo Sudeste e depois foi para o Nordeste, onde "descobriu em Natal, a beleza das dunas e o gosto do sal do mar". Lá, resolveu fazer poemas e inventar versos.
O poema acima foi retirado da página 20, do livro
Poemares , escrito por José de Castro e publicado pela Editora Dimensão, Belo Horizonte, 2007.

Quero-quero

Q é para quero-quero
Sérgio Capparelli

Um quero-quero chegou
Com flores numa sombrinha:
_ Nono andar, por favor.
_ Só térreo, dona Florzinha,
Pois esse é um descedor.



Sérgio Capparelli é mineiro, nascido na cidade de Uberlândia. Hoje, vive em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É professor universitário, tradutor e escritor premiado na área de literatura infantil. O poema Q é para quero-quero foi retirado de seu livro Tigres no quintal, da Global Editora (quarta edição).

Fonte: Revista Ciência Hoje das Crianças Nº 197, de dezembro de 2008

Coruja

Corujice 
 Elias José 


A cara coruja
não encara
a cara do Sol,
mas à noite
fica bem na sua
cara a cara
com a lua.


Elias José. Boneco maluco e outras brincadeiras. Porto Alegre, Projeto, 1999.

Cerrado

Poema de Nicolas Beher

Nem tudo
que é torto
é errado

Veja as pernas
do Garrincha
e as árvores
do Cerrado.


Fonte:
Vivendo no Cerrado e Aprendendo com ele
Marcelo Bizerril
Editora Saraiva. São Paulo, 2004

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Poema: Porquinho da Índia


Porquinho-da-Índia

Poema de Manuel Bandeira

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

Fonte: http://www.lainsignia.org/2005/enero/cul_027.htm Acesso em: 27/09/09

Veja logo abaixo um vídeo meu:



É um animalzinho muito dócil que encanta adultos e crianças. Aí no vídeo, a mãe e uma filhotinha que nasceu hoje (27/09/09).

Veja também matéria sobre o porquinho da Índia como animal de estimação, clicando em: http://capi2.blogspot.com/2006/10/porquinhos-da-ndia-animal-de-estimao.html

No terceiro ato

No terceiro ato
Bartolomeu Campos de Queirós

O rato vê o pato no teto
e vê o gato no rio.

Leva um susto
cai o R.

O gato
come o R do rato
e vira grato.

O pato
come o R do rato
e vira prato.

O rato
sem R vira ato.

O pato prato vê o rato sem R
leva um susto,
cai o P
e vira rato.

O gato grato vê o rato sem R,
leva um susto,
cai o G
e vira rato.

Bartolomeu Campos de Queirós nasceu no ano de 1944, em Minas Gerais, onde mora até hoje. É autor premiado de peças de teatro, poemas e literatura infanto-juvenil. Trecho retirado do livro História em três atos, publicado pela Global Editora.

Fonte:
Revista Ciência Hoje das Crianças
Nº 206, de outubro de 2009.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Poesia: O Íbis

O Íbis
Fernando Pessoa

O Íbis, ave do Egito,
Pousa sempre sobre um pé
(O que é esquisito).
É uma ave sossegada
Porque assim não anda nada.
Uma cegonha parece
Porque é uma cegonha.
Sonha
E esquece  __
Propriedade notável
De toda ave aviável.
Quando vejo esta Lisboa,
Digo sempre, Ah quem me dera
(E essa era
Boa)
Ser um íbis esquisito,
Ou p'lo menos 'star no Egito.

Fonte:
Página virtual da Casa de Fernado Pessoa
Acesso em  05/03/2011

Poesia: As Formigas

As Formigas
Olavo Bilac

Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando...

Marcham em filas cerradas;
Não se separam; espiam
De um lado e de outro, assustadas,
E das pedras se desviam.

Entre calhaus vão abrindo
Caminho estreito e seguro,
Aqui, ladeiras subindo,
Acolá, galgando um muro.

Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.

Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma para cansada...

Também quando chega o frio,
E todo o fruto consome,
A formiga, que no estio
Trabalha, não sofre fome...
(...)

Fonte: 
Revista Ciência Hoje das Crianças (contra capa)
Ano 25, Nº 232 - Março de 2012

sexta-feira, 15 de março de 2013

As Formigas

As Formigas
Olavo Bilac
Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando...
Marcham em filas cerradas;
Não se separam; espiam
De um lado e de outro, assustadas,
E das pedras se desviam.
(...)
Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.
Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma pára cansada.
(...)
"Olavo Bilac, um dos mais notáveis poetas brasileiros, nasceu em 1865, no Rio de Janeiro, e morreu em 1918, na mesma cidade. Formou-se em Direito, mas obteve reconhecimento maior como escritor e poeta, sendo um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. O poema As Formiguinhas faz parte do livro Poesias Infantis, Editora Francisco Alves."
Fonte : Revista Ciência Hoje das Crianças nº 181, de julho de 2007

Seriema:poesia

Seriema, a princesa do Cerrado
Composição: Josué Faustino


De manhã, todos os dias
Nasce o sol lindo e dourado
Com seus raios cor de ouro,
Projeta lindos bordados
Nas palmas dos Buritis,
Pelos córregos do Cerrado
Dando vida a este poema
Se escuta da Seriema, o lindo canto afinado!

Seriema, teu canto,
É lindo demais!!
Sentimento profundo, lembrança, saudades
Teu canto me trás
Seriema, teu canto, é lindo demais!
Me faz tão feliz!
Recordando momentos
Inesquecíveis que não voltam mais

Tardezinha, quando o sol,
Se esconde atrás da serra,
Aparece o véu da noite,
Para escurecer a terra!
E a Princesa do Cerrado,
Com seu canto encantador
Abre o bico, ergue a cabeça,
Num ritual de louvor
Agradece a Natureza com seu canto
Sua Alteza, agradece ao Criador.


Fonte:
http://letras.terra.com.br/fruto-do-cerrado/1454991/
Acesso em 10/10/09

Sobre a ema


Você sabia?

"...que duas ou mais emas [...] botam os ovos em um único ninho? O homem do campo, muito observador, fez até uma quadrinha:


__Vou lhe fazer uma pergunta
Seu cabeça de urupema
Quero que você me diga
Quantos ovos põe a ema?

__Quantos ovos põe a ema?
A ema nunca põe só;
Põe a mãe e põe a filha
Põe a neta e põe a avó.

Assim que terminam de botar, saem de fininho e deixam o macho chocando a ninhada, que tem, às vezes mais de 40 ovos.

A ema deixa alguns ovos fora do ninho para apodrecer. Os ovos podres atraem muitas moscas, que servem de alimento para os filhotes quando nascem.”

Fonte: A vida no cerrado. Roberto Antonelli Filho. São Paulo: FTD, 1997 ( Coleção Tropical)

O passarinho e o espantalho

O Passarinho e o Espantalho
Marciano Vasques


Quando se aninha
num coração de palha
um passarinho,
o seu canto se espalha aquecido,
e o espantalho,
com a alma repleta de vôos,
desperta querendo gorjear.

Espigas o sáudam.
Amarelos brincam ao redor
do seu vulto esfarrapado.

Campos acordam em festa
com o orvalho anunciando
que o dia está sorrindo.

Quando o Sol se espreguiça
e o passarinho vai embora,
o espantalho se entristece com o ninho vazio
no peito, mas o dia gorjeia em seu lugar.


"Espantalhos são grandes bonecos de palha que os camponeses acreditam - quando colocados nas plantações - espantar pássaros. Este poema é de Marciano Vasques - professor e escritor paulista nascido em 26 de agosto de 1952 - e foi retirado do Livro Espantalhos, publicado pela Editora Noovha América."

Fonte:Revista Ciência Hoje das Crianças n° 189, de Abril de 2008.